Saturday, March 25, 2006

As torturas da PIDE - A privação do sono




No Regime Fascista, entre várias torturas a que os prisioneiros eram submetidos, a PIDE utilizava uma técnica recente de coerção, concebida pela US Central
Intelligence Agency.

O ponto fulcral desta nova tortura era a privação do sono.
Os presos, estavam encarcerados por participarem em organizações clandestinas, com o intuito de derrubar o Estado, fascista, autoritário e desumano.
A privação do sono e a privação sensorial eram recomendadas com o objectivo de produzir a “síndrome DDD” de “debilidade, dependência e medo” nos interrogatórios.

As vítimas podiam ser reduzidas à submissão numa questão de horas ou dias, vendo-se obrigadas a denunciar amigos que corriam atrás dos mesmos objectivos, ou se não falassem, a morte era a sua espera; apesar de se advertir a seguir contra “aplicações duras que ultrapassam o ponto dos danos psicológicos irreversíveis”, isto claro, era para tapar os olhos, pois em muitas ou poucas não sei, mas que se ultrapassava o limite para tais danos, lá isso ultrapassava.

As paredes das celas e os tectos eram brancos, mas permaneciam algumas marcas arranhadas, pelos prisioneiros que após alguns dias de tortura, de privação de sono, começavam a sofrer consequências psicológicas e físicas.

A iluminação das celas era fraca, artificial, e a sua fonte invisível. Existiam também aparelhos escondidos de ar condicionado-aquecimento, em minutos a temperatura da sala era fria como o gelo ou ardente como o deserto.

O mobiliário consistia numa mesa e algumas cadeiras, estrategicamente protegido nas pontas, de modo a evitar eventuais suicídios dos prisioneiros, que se tentavam matar chocando com a cabeça contra os mesmos, como fizeram alguns.

Os tectos da cela tinham alto-falantes que difundiam sons ruidosos e terrificantes, ou por vezes os choros e soluções de suas esposas e/ou filhos.

As refeições eram servidas de modo deliberado. O pequeno almoço podia chegar às 16h, e o jantar a meio da noite. Não existiam relógios e as celas não tinham camas.

O record de privação do sono, foi de um jovem engenhiero, comunista, mantido desperto durante um mês. Cometeu o suicídio após a sua libertação.

Eis aí a prova de que, aplicações duras ultrapassam o ponto dos danos psicológicos irreversíveis, de tal modo, que o rapaz se suicidou, mesmo estando em “liberdade”.

A PIDE era famosa pela brutalidade da tortura, o que foi suavizado com os guias da CIA que, considerava que a brutalidade física cria ressentimento, hostilidade e mais desafio.

Perante toda a brutalidade, toda a violência a que os prisioneiros eram submetidos pela PIDE, acabavam por não resistir, denunciando assim os seus companheiros de luta, iniciando-se uma provável colaboração com a polícia política.

Muitos prisioneiros quando eram libertados, especialmente os comunistas, considerados os mais difíceis de quebrar, não voltavam para casa, para junto da sua família.

Preferiam afastar-se, arranjar um emprego simples, muitos caíam no alcoolismo e até mudavam de nome. Levavam um género de vida tipo zombies mentais.

Era assim que se fazia justiça no Fascismo, era a isto que se chamava manter a ordem de um país.
Deixar marcas em homens e mulheres, destruir famílias, deixar crianças ao abandono, que para sempre ficariam marcadas pela justiça de Salazar.

Nota: O engenheiro sujeito a tortura do sono mencionado pelo jornalista Christopher Reed é Fernando Vicente. Violentamente torturado pela PIDE, foi submetido à tortura do sono durante 31 dias (31 dias e noites em 33 dias de calendário). Contudo Fernando Vicente não se suicidou. Ex-membro do Comité Central do PCP, tem actualmente 63 anos. A sua situação, testemunhada por Reed em «My Journey to Caxias: How the CIA Taught the Portuguese to Torture», artigo supracitado, suscita-lhe algumas correcções factuais que podem ser lidas em http://resistir.info/portugal/caxias.html#nota.
Nota2: Não mudei no texto escrito sobre a tortura do sono, os factos desmentidos por Fernando Vicente, porque fala da sua experîência pessoal, e existem vários escritos e relatos de que realmente existiam aparelhos que modificavam a temperatura e de que as refeições não eram servidas a horas certas, era quando calhasse.
No entanto, aconselho o visitante a visitar o site que referi na primeira nota, de modo a ver esclarecidas quaisquer dúvidas em torno da história de Fernando Vicente, pois em alguns sites, a informação está incorrecta, dizendo até que, Fernando Vicente se suicidou após a sua libertação, o que é totalmente mentira, como esclarece o próprio.

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